sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Grandes pessoas




Em uma tarde qualquer paro para conversar com um morador de rua muito carismático de Bagé, Falcão como é conhecido mostra-se bem articulado em uma conversa informal que tivemos durante 15 minutos, junto com a sua barraca, onde no momento da conversa dormia sua adorada cachorra, de nome Sofia, cachorra que Falcão trata como uma pessoa, desenvolvo uma forma de depoimento sobre o que acontece com os moradores de rua.
A conversa que tivemos foi inteiramente gravada por uma câmera de celular e transcrita exatamente as suas palavras nos depoimentos que virão logo em seguida. Começo falando que queria ter uma conversa completamente informal para poder postar em um Blog na Internet, Falcão dispõe de uma espontaneidade e segue falando sobre como é sua vida morando sob uma marquise bem no centro de Bagé. 
Falcão: " - Sou morador de rua a pouco tempo, antes era um andarilho mesmo. Já fazem 31 anos que estou nesta vida de andanças". Ele lembra que sua idade é de 46 anos, ou seja, desde os 15 anos já vive desta forma. Pergunto se é natural de Bagé, e responde: "- Sim, sim, eu e a Sofia, tenho ela desde pequenininha", Sofia que dorme dentro da barraca durante toda a conversa, segundo Falcão ela estava cansada por ter caminhado mais cedo. Falcão faz questão de me mostrar por dentro da barraca, onde ele dorme, fica feliz de apontar que comida para ele e para sua fiel amiga não lhe faltam, diz que é muito ajudado pelas pessoas, que lhe dão almoço, janta, e alimentos, mas deixa bem claro: "- Não peço nada as pessoas, não fico esperando nada cair do céu, corro atrás, vendo as latinhas de alumínio, ai as pessoas vêem eu trabalhando e me ajudam". Fala que sua barraca foi ganha de um senhor que comprou-a no Supermercado ao lado, questiono se nunca houve nenhuma incidência contra ele à noite, e de imediato me responde: "- Teve uma vez que quatro 'playboyzinhos' tentaram colocar fogo na minha barraca, eu estava dormindo, me acordei com a Sofia que alertou, eles foram embora por quê viram a viatura da Brigada Militar na esquina", e lembra que outra vez uma rapaz parou a bicicleta e ficou rondando sua barraca, mas que apontando para a câmera de vigilância da esquina, diz que a polícia viu e veio até o local averiguar o que estava acontecendo, e argumenta: "- A Brigada chegou e deu uma bronca no cara, mandou encostar na parede e depois fez ele sair ligeiro daqui". Falcão lembra que assim como respeita as pessoas ganha confiança e respeito de volta, ressalta que quando precisa sair do local onde mora pra caminhar ou vender seus recicláveis sempre alguém da redondeza fiscaliza suas coisas para que ninguém mecha. Segundo ele, o que mais faz as pessoas sentirem respeito é que no local onde mora não existe "ajuntamento" e muito menos "cachaçada", assim mesmo como ele se referiu. Durante a conversa passa uma senhora com seu cachorro na calçada e Falcão faz questão de lembrar: "- Essa é uma das pessoas que me ajuda", mostrando que é grato a quem lhe dá atenção. Vejo que sendo muito conhecido na cidade, pergunto se não existe nenhum familiar em Bagé que possa lhe dar um abrigo, responde assim: "- Eu tenho uma irmã lá na Vila Kennedy, até passo alguns dias com ela, mas enquanto tiver com as duas pernas boas vou ficar na rua, esse é o meu sistema", Falcão segue falando de sua irmã, diz que ela tem que comprar vários medicamentos, gasta muito por causa da sua saúde, ai ele prefere ficar com a Sofia na rua mesmo, pois já se acostumou, emendando o assunto de problemas de saúde faz questão de lembrar que haverá um protesto contra o SAMU, devido ao um outro morador de rua que estava passando mal e quando solicitado o SAMU foi negada a assistência, pois em caso de alcoolismo eles não atendem (essa mesma pessoa acabou falecendo), com muita indignação Falcão me fala o seguinte: "- Agora por que é alcoólatra, merece morrer? Isso é uma falta de respeito, vamos até fazer um protesto contra eles. Eu quando estou com problema nos rins, as pessoas vêm e me perguntam: 'O que houve Falcão? Quer que eu chame o SAMU?' De primeira eu respondo que não, se puder ir ali na farmácia e comprar um remédio pra mim eu fico bem agradecido, por quê em caso de morador de rua o SAMU não vem, sempre pensam que é caso de alcoolismo!" Isso mostra que qualquer pessoa pode ser um bom cidadão, cumprir com seus direitos, mas que às vezes muitos de nós acabam nos acomodamos. 
Quando vimos que já se foram vários minutos de conversa, Falcão fala:" Acho que era isso, tirando essas coisas, acho que não acontece mais nada", o que fiquei surpreso, pois foram muitas coisas que foram ditas, mas que para ele pode parecer apenas cotidiano. Fica o meu agradecimento ao grande protagonista da conversa, lhe prometo que levarei impresso o post e ele dando risada me diz: " Muito obrigado, fazendo eu e a Sofia ficar mais famosos, somos pobres, mas famosos!(risos)". E era isso, acho que foi apenas uma conversa, mas que rendeu vários assuntos interessantes, fica mais uma vez as minhas saudações ao Falcão.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ele comeria você também...

Ele comeria você também, e dai?


Um dos meus últimos "posts" que tem a foto da Dercy Gonçalves como ilustração tratava de politicamente correto, poder falar o que bem entende na TV e ter certa liberdade de expressão, no mesmo até cito um integrante do programa "Custe o que Custar"(CQC), e é sobre isso que vou falar, sobre o "CQC", ou melhor, sobre o apresentador Rafinha Bastos, que foi afastado do programa no dia 03 de Outubro de 2011, devido a uma piada que envolvia o nome da cantora Wanessa Camargo que está grávida, cuja piada foi: "Comeria ela(Wanessa) e seu filho."
De imediato houve uma grande repugnação de pessoas na Internet, taxando o Rafinha de várias coisas, chegando a dizer que ele fez uma piada de pedófilo. A piada ganhou muita repercussão, isso já era de se esperar, pois ele já foi eleito a pessoa mais influente do mundo pelo jornal "The New York Times". A vários dias esse assunto vem dando polêmica, gerando discussões entre todas as pessoas que tem conhecimento do fato. Até agora as declarações que vi do Rafinha foram dadas no "Twitter", nada de vir até a televisão e falar oficialmente, e nesse próprio site que em contraponto as grandes acusações, ele ganhou uma grande defesa do público, onde neste momento é o assunto mais falado no Brasil. Mas então, se as pessoas estão do lado dele, é melhor que volte logo para o programa, pois qualquer programa é feito através do gosto e aprovação do público, então que façam algo para que ele não seja censurado, e esta é a minha forma de manifestar apoio ao Rafinha, escrevendo. Não vou dizer que a piada feita no programa foi boa, houve um pouquinho de improviso que acabou gerando algo não muito pensado, mas nada que uma desculpa ao vivo não resolva, ai vêm e tiram ele do ar, terminando com a graça do programa, forma um pouca rígida de resolver problemas, não acham? É Band, isso terá que ser revisto por vocês, ou vão esperar a audiência cair mais um pouco para resolver o caso? Acho que não. Então fica o meu apoio para que esse gaúcho boca suja volte ao ar, mas senão voltar também não tem problema, tem outros canais para ser visto.